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Unir para vencer, vencer para avançar e inovar

10/02/2014 00:00


Daqui a oito meses elegeremos o novo presidente da República e o novo governador de Minas. Serão escolhas definidoras do futuro que imaginamos para as novas gerações brasileiras. O horizonte de médio e longo prazo da economia é preocupante e nebuloso, expresso no desempenho pífio do PIB, no recorde no déficit da balança comercial e no crescimento negativo de nossa indústria. As políticas sociais ainda se mostram com qualidade e eficácia aquém do necessário para o desenvolvimento de nosso povo. A democracia é testada permanentemente com tentativas de inibir a liberdade de imprensa e ataques irresponsáveis ao Poder Judiciário, como o que assistimos recentemente na abertura dos trabalhos do Congresso. O Brasil está perdendo oportunidades e espaço no cenário internacional. Países como México, Chile, Peru e Colômbia – para ficar só na América Latina – avançam em seu processo de modernização, enquanto nos alinhamos equivocadamente a experiências populistas-autoritárias como as da Venezuela e da Argentina. A agenda de reformas estruturais tão necessárias se encontra paralisada pelo Governo do PT e o futuro brasileiro começa a ser povoado de interrogações, como demonstram os recentes apagões no setor elétrico. A Federação é hoje uma ficção com o esvaziamento de Estados e Municípios e a concentração absurda de poder e recursos na esfera federal. É preciso avançar. É preciso mudar o rumo. E Minas estará no centro dos acontecimentos em 2014, no olho do furacão. É com a consciência clara da importância do PSDB de Minas neste quadro decisivo que tomo este posicionamento hoje.
 
A política é a grande ferramenta de mudança da realidade social e econômica. A política é a arte de tornar possível o necessário, é o campo onde podemos realizar e praticar sonhos, projetos, valores, ideais, objetivos coletivos estratégicos.
 
A política para mim sempre teve sentido coletivo e embasamento ideológico e ético. Desde que escolhi meu caminho, aos 16 anos, em 1976, ao liderar uma paralisação e uma passeata em meu colégio em Juiz de Fora, entendi o valor da luta pela liberdade e pela justiça social, os valores essenciais que me movem. Nasci para a política na militância estudantil, como presidente do DA de Economia e do DCE da UFJF, na militância cultural, nas comunidades de bases da igreja, na luta pela Anistia. Antes de me formar, já era vereador eleito aos 22 anos, em 1982. Desde o tempo do combate à ditadura, no fundamental, minhas convicções não se alteraram. O amadurecimento natural das ideias e da postura pessoal não apagou o espírito essencial de enxergar na política a possibilidade de revolucionar o mundo e a vida a partir de um conjunto de ideias e princípios. Daí nasceram compromissos permanentes. A política não é campo para vaidades pessoais ou ambições pessoais. Somos provisórios, falíveis e passageiros. O que fica são a sociedade e as instituições. Política não é atividade solitária. Sempre tive militância orgânica, com visão partidária e de grupo. 
 
A administração pública nasceu em minha vida a partir da militância política e não o inverso. Todos os cargos que ocupei na Prefeitura de Juiz de Fora, no Governo de Minas e no Governo Federal foram extensão da militância política. Aprendi que não basta se indignar, protestar, contestar. É preciso arregaçar as mangas e produzir as mudanças. Enxergo a política e a administração pública, minhas duas vocações, faces diferentes da mesma moeda.
Em toda a minha trajetória como gestor público, tive momentos gratificantes quando me senti útil ao povo e ao meu país. Mas o ápice desta caminhada foi, sem nenhuma dúvida, os sete anos à frente da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, oportunidade única aberta pelo então governador Aécio Neves. À frente de uma fantástica equipe, conseguimos erguer o melhor modelo de gestão regional do SUS no Brasil, merecendo reconhecimento nacional e internacional. Hoje as sementes deste trabalho estão espalhadas pelos 853 municípios mineiros e os resultados são palpáveis e o impacto, profundo.
 
Em função desta experiência vitoriosa e da trajetória recente como deputado federal e presidente estadual do PSDB, dezenas de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, ex-prefeitos, deputados, me incentivaram a colocar meu nome como opção para a sucessão de nosso governador Antonio Anastasia. Com muita prudência e com absoluta lealdade à liderança de Aécio e Anastasia, percorri os quatros cantos de Minas, discutindo o futuro do país e do Estado e o papel que me caberia dentro do processo político de 2014.
 
Em 2014, temos como tarefa central mudar o Brasil. E, como já disse, Minas estará no centro das decisões. Só duas gerações nos últimos 60 anos puderam construir a partir de Minas um projeto alternativo para o Brasil. Apenas JK e Tancredo Neves proporcionaram a Minas esse privilégio. Tivemos ainda a intervenção emergencial de Itamar Franco, que diante de grave crise econômica e institucional, assegurou a estabilidade. Agora o desafio se recoloca. Com Aécio, o maior e mais completo líder político de minha geração, poderemos levar Minas ao coração das decisões nacionais. Isto é bom para Minas, mas melhor ainda para o país. Tendo à frente Aécio, poderemos desencadear um ousado e criativo programa de reformas que responda aos desafios do Brasil neste inicio de século 21. Aécio tem experiência, história, habilidade, competência, para cumprir este papel. É um construtor de pontes, capaz de gerar a convergência a partir da divergência, o consenso a partir do dissenso. E se revelou um excepcional gestor e líder de equipe à frente do Governo de Minas, onde produziu o melhor governo das últimas décadas. É principalmente pela centralidade e valor estratégico da candidatura presidencial de Aécio, a quem devo lealdade absoluta e eterna gratidão pelas oportunidades a mim concedidas, que tomo essa atitude hoje. Temos que construir uma grande vitória em Minas para levar Aécio à Presidência da República. E para isto temos que estar unidos, não só no interior do PSDB, mas também na ampla frente de mais de 15 partidos que sempre apoiaram esta experiência vitoriosa. As últimas pesquisas indicam que 65% dos brasileiros querem mudanças. Minas e Aécio serão protagonistas dessas mudanças.
 
Mas temos uma segunda tarefa em 2014. Após os 11 anos dos governos de Aécio e Anastasia que mudaram a face de Minas em todos os campos, da saúde à infraestrutura, da educação ao modelo de gestão, temos legitimidade e condições de reivindicar junto à sociedade mineira a renovação do mandato de confiança para que nos próximos quatro anos, a partir de 2015, mantenhamos Minas no rumo certo, agregando novos avanços e ousadas inovações. A eleição não será fácil. A máquina federal é poderosa e está sendo utilizada sem pudor. E a chave de nossa vitória é, mais uma vez, nossa unidade.
 
Novamente agradeço aos inúmeros líderes que apoiaram de forma entusiástica esta caminhada. Mas há momentos de avançar, e há momentos em que é preciso saber recuar. Política não é uma travessia solitária, é esforço de time, é obra de muitos. Retiro o meu nome do processo como pré-candidato a governador, para apoiar com todas as minhas energias e ferramentas políticas o nome do ex-ministro e ex-prefeito de BH, Pimenta da Veiga.
Já disseram outros que “política é destino”. Não se faz política isoladamente. Sou obrigado a reconhecer que não consegui produzir, neste momento, em torno do meu nome o consenso necessário para embasar uma candidatura vitoriosa. Encontrei um maciço apoio nas lideranças municipais. E levo desta travessia, com carinho e gratidão, as inúmeras demonstrações de afeto e apoio que recebi ao longo dos últimos meses.
 
Conheço Pimenta da Veiga desde 1986, quando lideramos, ele em escala estadual como deputado federal, e eu na Zona da Mata como vereador de Juiz de Fora, a dissidência que apoiou Itamar Franco ao governo e ficou conhecida como “PMDB de verdade”. Como um dos maiores líderes da luta pela redemocratização, Pimenta da Veiga já antevia as contradições insuperáveis, o esgotamento do potencial político da frente democrática que nos trouxe a liberdade de volta e a necessidade de mudanças que foram percebidas claramente depois no interior da Constituinte instalada em 1986. A dissidência mineira de 1986 foi o embrião do nascimento do PSDB em 1988. Pimenta da Veiga nos liderou nesse delicado e decisivo momento. Num quadro em que a política, muitas vezes, é tomada por um pragmatismo vazio de princípios e valores, onde só sobram o oportunismo e a incoerência, chamo atenção de vocês para dois artigos escritos por mim, em 86 e 88, que constam do livro distribuído, para que possam aquilatar o grau de convergência histórica, política e ideológica entre mim e Pimenta da Veiga. Em 1988, ele foi eleito o primeiro prefeito de capital do PSDB, fez uma bela administração em BH e nos ajudou muito a consolidar o PSDB em Juiz de Fora, o que nos levou a assumir a prefeitura da cidade em 1992. Posteriormente, trabalhei três anos em Brasília, como chefe de gabinete do Ministério das Comunicações, quando Pimenta da Veiga era o ministro, e onde consolidamos a maior transformação da infraestrutura de telecomunicações da história brasileira, sem o que estaríamos na Idade da Pedra em termos de Internet, comunicação de dados, telefonia fixa e móvel.  
                        
Portanto, não existem diferenças de fundo, de visão de mundo, de concepção política, de olhar sobre o futuro, sobre Minas e sobre o Brasil, entre Pimenta da Veiga e eu. Há uma grande identidade política e ideológica entre nós dois e esse é o fundamento sólido de nossa unidade. E o desejo comum de ver Aécio presidente da República, como expressão das mudanças necessárias ao país, torna esta união ainda mais profunda. As diferenças geracionais, de estilo pessoal e de trajetória recente são pequenas e secundárias, em face das tarefas e desafios estratégicos que juntos enfrentaremos a partir de hoje.
 
Peço a cada companheiro que era entusiasta da minha pré-candidatura que faça por Pimenta da Veiga o que faria por mim. Vamos à luta. Unidos, venceremos. Vencendo, continuaremos a transformar, com ousadia e coragem, Minas e o Brasil. Como candidato a deputado federal e presidente do PSDB-MG, estarei na linha de frente dessa batalha.
 
Faremos o bom combate. A luta será dura, mas nosso passado, nossa ação transformadora à frente do Governo de Minas e a forte liderança de Aécio nos indicam o caminho da vitória. Nosso adversário deixa como herança a desindustrialização, o maior déficit comercial da história, a instabilidade de expectativas e confiança graças ao intervencionismo desorganizador e atrapalhado, resultando num crescimento econômico pífio. O Governo Dilma e o PT, em seus 11 anos, não resolveram os problemas estruturais de Minas. Não tivemos um metro de linha e novas estações do metrô da RMBH. As BRs 381 e 040 não saíram do papel. O anel rodoviário e o Rodoanel são promessas envelhecidas pela inércia e pela incompetência. Não houve atração de sequer um investimento industrial relevante a partir da ação do Governo Federal. Ao contrário, perdemos a Fiat para Pernambuco e o polo acrílico para a Bahia. O gasoduto que servirá ao Triângulo só se viabilizou pela atuação dinâmica de nosso governador Anastasia. 
 
Unidos, estaremos fortalecendo o nosso compromisso com a democracia, a liberdade e a equidade social, e honrando a confiança depositada em nós pelos mineiros desde 2002.
 
Vamos à luta! Vamos à vitória! Conte comigo, Pimenta!
 
Discurso proferido por Marcus Pestana, no PSDB-MG, no dia 10 de fevereiro, na ocasião da retirada de seu nome do processo de pre-candidatura ao Governo de Minas Gerais, nas eleições de 2014.