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A retomada, seus limites e potencial

Jornal O Tempo

11/12/2017

 

Faltam pouco mais de sete meses para as convenções partidárias que escolherão os candidatos às eleições de 2018. Elas ocorrerão daqui a dez meses. É hora de pensar no futuro do país.
 
As eleições, dada a profundidade da crise atual, serão um divisor de águas na história brasileira. A herança da maior recessão de todos os tempos e da operação Lava Jato, que está passando o Brasil a limpo, colocará o jogo político, as instituições republicanas e a democracia brasileira em outro patamar.
 
A ética e a honestidade são obrigação, nível inicial de qualquer candidatura, e não elemento de diferenciação na escolha. Partidos e projetos de poder são meios, e não fins. A política é só um instrumento para o avanço coletivo da sociedade. O objetivo essencial é o desenvolvimento social e econômico, que deve buscar a conquista de cidadania plena para todos os brasileiros. Qual é o candidato à Presidência que tem as condições de garantir um novo horizonte para a população?
 
A retomada econômica, que gera emprego, renda e retaguarda fiscal para as políticas públicas, dá seus primeiros passos. Num país carente de boas notícias, na última quarta-feira, tivemos duas delas. São sintomas claros de que a economia brasileira começa a entrar nos trilhos. A produção industrial registrou um crescimento anual de 5,3%, e a taxa de juros real atingiu o nível mais baixo de toda a história da Selic e de forma inédita se nivelou à TJLP.
 
Gostemos ou não do governo Temer, o legado econômico e de modernização institucional será um dos mais significativos deixados em toda a história republicana.
 
Mas a retomada só terá sustentabilidade se tivermos responsabilidade, coragem e clareza de fazermos as coisas certas. A atual reversão é resultado da ocupação da capacidade ociosa puxada pelo consumo, que cresceu em função do efeito renda provocado pelas quedas da inflação e do desemprego e de medidas pontuais, como a liberação de recursos do FGTS para os trabalhadores.
 
Ocorre que o motor do crescimento são os investimentos. E estes estão em patamar muito baixo. Só eles podem assegurar um incremento sustentado de 3,5% a 4% do PIB ao ano.
Temos dois nós fundamentais a serem desatados: a instabilidade política e o desequilíbrio fiscal do setor público. A turbulência política, esperamos, será resolvida pela própria eleição, com a recuperação de um ambiente institucional que restabeleça a confiança, a tranquilidade e a credibilidade. Já o equilíbrio fiscal depende visceralmente do equacionamento de nossos dilemas tributários, orçamentários, previdenciários e federativos. Não há como ser otimista diante de déficits nominais de 8% ou 10% do PIB. É insustentável. O ajuste fiscal não é desejo ou escolha, é uma imposição da realidade.
 
O Brasil poderá realizar plenamente seu potencial se fizermos as escolhas certas e não ficarmos “deitados em berço esplêndido”, perdendo oportunidades e o “bonde da história”. 
 
Publicado no jornal O Tempo em 11 de dezembro de 2017

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